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Todo mundo sabe o quanto é difícil emagrecer e não recuperar o peso perdido, não é mesmo? Mas a explicação é até que "simples". Nosso organismo tem uma memória metabólica, que nada mais é ele querer voltar ao seu estado anterior, assim que o mesmo nota alteração. Vamos supor que você manteve por um bom tempo um peso corporal de 70kg. Você faz uma dieta e reduz seu peso para 62kg. Se você não fizer uma reeducação alimentar e perdurar com os novos hábitos por um período (tempo que ele precisa para esquecer o peso anterior) de pelo menos 3 (três) anos, seu corpo fará tudo para você recuperar os kilos perdidos e voltar aos 70kg. Isto porque nós temos as células gordurosas (os adipócitos), que têm uma capacidade de armazenamento de gordura, e que quando são "desestabilizadas", fazem de tudo para recuperar a gordura perdida.
Pesquisas recentes mostraram, através de biópsias que um adipócito de uma pessoa obesa armazena até 50% mais gordura que em um indivíduo normal, mas a quantidade total de gordura dos obesos ultrapassam 300% os valores normais, a única conclusão possível é que o número de células adiposas está aumentado nos indivíduos obesos. As estimativas para uma pessoa comum são de 25/30 bilhões enquanto que uma pessoa obesa pode chegar a 260 bilhões de adipócitos.
Esta celularidade aumentada pode ser a chave do entendimento para a dificuldade em perder esta gordura armazenada. Uma vez aumentado o número de adipócitos, não podemos eliminá-los a não ser cirurgicamente (lipoaspiração). Uma pessoa comum apresenta uma média de 0,6 microgramas de gordura por célula. Não deve ser fisiológico (normal) manter um adipócito, ou melhor 75 bilhões de adipócitos atrofiados a 0,2 microgramas de gordura por célula, quando o obeso emagrece, quando ele tinha 0,9 microgramas de gordura na célula.
O aumento do número de adipócitos é acelerado no desenvolvimento embrionário e no primeiro ano de vida. Até os 10 anos de idade a hiperplasia (aumento do número de células) dos adipócitos está facilitada para permitir o crescimento da criança, sendo esta uma fase, muito propícia para desenvolver a obesidade infantil. Durante a adolescência, a hiperplasia só deverá ocorrer se o adipócito atingir 0,9 microgramas de gordura, sendo então obrigado a se duplicar. Na idade adulta, estima-se que tenha que atingir 1,0 micrograma de gordura para ser estimulado a se dividir em dois adipócitos com 0,5 microgramas de gordura cada.
O acúmulo de gordura que se processa após a maturação sexual (18/21 anos) tem uma menor probabilidade de se tornar uma obesidade mórbida. Em termos práticos, é interessante que a pessoa chegue aos 25 anos com uma celularidade adiposa em torno de 30 bilhões de células, cada uma delas com 0,6 microgramas de gordura. Este indivíduo poderá ganhar ou perder com certa facilidade algo em torno de 5 kg. Porém ultrapassados o limite de 5 kg, as células adiposas poderão sofrer divisões para suportar a quantidade excessiva de gordura, e, a partir desse ponto o indivíduo começa a ter dificuldade para reaver o seu peso inicial, quando sua celularidade era de 30 bilhões de células e atualmente comporta 50 bilhões.
Uma visão realista indica que uma pessoa consegue reduzir e manter com alguma facilidade 30% do seu peso de gordura. Mais que isso, torna-se uma tarefa difícil de realizar e quase impossível de manter.
Conclusão: não deixe seu filho (a) engordar em demasia na infância e, você, adulto(a), procure mudar hábitos alimentares para que as novas informações se processem no Sistema Nervoso Central. Não faça loucuras para emagrecer, procure aliar a alimentação com seus exercícios físicos. Como disse Dr. Cooper em últimos depoimentos, é mais interessante que você esteja um pouco mais acima do peso e saudável, do que magro e sem saúde! Aposte nisto, não faça loucuras (laxantes, calmantes, estimulantes, etc, sem prescrição adequada) e seja feliz!!
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